quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cabeço do Zimbral


Povoado calcolítico?

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Prospecção Cabeço do Cortiço/Praia de Galápos




Mais um dia de prospecções arqueoespeleológicas no âmbito da Carta Arqueológica da Arrábida | Setúbal. Desta feita realizámos um percurso balizado entre a "estrada de cima", na zona das "antenas" no alto da Serra (Cabeço do Cortiço), e a "estrada de baixo"; e entre as praias da Figueirinha e Galapos. Pretendeu-se levar a cabo uma 1.ª exploração de reconhecimento numa área verdadeiramente virgem da Arrábida, pelo menos no que diz respeito à investigação arqueológica e espeleológica. Para o efeito, descemos a vertente ziguezagueando ao longo das bancadas expostas em degraus, prospectando as rechãs intermédias. A área não apresenta grande potencial espeleológico, apenas se observando algumas pequenas lapas/abrigos, confirmando-se as baixas expectativas para aquelas unidades cársicas. No que respeita à Arqueologia, identificámos três grupos de estruturas de época indefinida, não apresentando materiais datantes associados, contudo, tendo em conta que registámos, nas suas imediações, a ocorrências de diversos fragmentos cerâmicos de época moderna, é provável tratar-se de abrigos de pastor. A prospectabilidade da área abordada foi limitada a algumas janelas de observação, pelo facto de se tratar de uma área com declives abruptos, vegetação agressiva, com escasso suporte de circulação e implantação.

Área prospectada

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Anta da Foz

Fresquinha e acabadinha de pescar... clic aqui!!!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Frei Agostinho da Cruz

Frei Agostinho da Cruz - um poeta da Arrábida
(clic aqui)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Elegia II

(Arrábida)

Alta Serra deserta, donde vejo
As águas do Oceano duma banda,
E doutra já salgadas as do Tejo:

Aquela saüdade que me manda
Lágrimas derramar em toda a parte,
Que fará nesta saüdosa, e branda?

Daqui mais saüdoso o sol se parte;
Daqui muito mais claro, mais dourado,
Pelos montes, nascendo, se reparte.

Aqui sôbolo mar dependurado
Um penedo sobre outro me ameaça
Das importunas ondas solapado.

Duvido poder ser que se desfaça
Com água clara, e branda a pedra dura
Com quem assim se beija, assim se abraça.

Mas ouço queixar dentro a Lapa escura,
Roídas as entranhas aparecem
Daquela rouca voz, que lá murmura.

Eis por cima da rocha áspera descem
Os troncos meio secos encurvados,
Eis sobem os que neles enverdecem.

Os olhos meus dali dependurados,
Pergunto ao mar, às plantas, aos penedos
Como, quando, por quem foram criados?

Respondem-me em segredo mil segredos,
Cujas primeiras letras vou cortando
Nos pés doutros mais verdes arvoredos.

Assim com cousas mudas conversando,
Com mais quietação delas aprendo
Que outras que há, ensinar querem falando.

Se pelejo, se grito, se contendo
Com armas, com razão, com argumentos,
Elas só com calar ficam vencendo.

Ferido de tamanhos sentimentos
Fico fora de mim, fico corrido
De ver sobre que fiz meus fundamentos.

Ali me chamo cego, ali perdido,
Ali por tantos nomes me nomeio,
Quantos por culpas tenho merecido.

Ali gemo, e suspiro, ali pranteio;
Ali geme, e suspira, ali pranteia
O monte, e vai de meus suspiros cheio.

Ali me faz pasmar, ali me enleia
Quanto colhendo estou da saüdade,
Que por toda esta terra se semeia.

Ora me ponho a rir da vaïdade,
Ora triste a chorar com quanto estudo
Erros solicitei da mocidade.

Tudo se muda enfim, muda-se tudo,
Tudo vejo mudar cada momento:
Eu de mal em pior também me mudo.

Soía levantar meu pensamento
Assentado sobre estas penedias
Duras, eu duro mais nelas me assento.

Punha-me a ver correr as águas frias
Por cima de alvos seixos repartidas,
Que faziam tremer ervas sombrias.

As flores, que levava já colhidas,
Passando pelos vales enjeitava
Por outras doutra nova cor vestidas.

O livre passarinho, que voava,
Cantando para o céu deixando a terra,
Da terra para o céu me encaminhava.

Cuidei que se esquecesse nesta Serra
A dura imiga minha natureza;
Mas donde quer que vou lá me faz guerra.

Oh! quem vira naquela fortaleza
Rodeada de fogo de amor puro,
Daquele amor divino esta alma acesa!

Quão firme, e quão quieto, e quão seguro
No campo se pusera em desafio!
E quão brando sentira o ferro duro!

Mas se agora de mim me não confio,
Se fujo, se me escondo, se me temo,
É porque sinto fraco o peito frio.

Alevantam-se os mares; e pasmo, e tremo:
Vejo vento contrário, desfaleço,
A corrente das mãos me leva o remo.

Confesso minha culpa, bem conheço
Que por mais graves males que padeça
Menos padecerei do que mereço.

Mandais, Senhor, que busque, bata, e peça,
Eu busco, bato, e peço a vós, Senhor,
Sem haver cousa em mim que vos mereça.

Com os braços na Cruz, meu Redentor,
Abertos me esperai, co lado aberto,
Manifestos sinais do vosso amor.

Ah! quem chegasse um dia de mais perto
A ver cos olhos de alma essa ferida,
Que esse coração mostra descoberto!

Esse, que por salvar gente perdida
De tanta piedade quis usar,
Que deu nas suas mãos a própria vida.

A sangue nos quisestes resgatar
De tão cruel, e duro cativeiro,
Vendido fostes vós por nos comprar.

Padecestes por nós, manso Cordeiro,
Pisado, preso, e nu entre ladrões,
Ardendo o fogo posto no madeiro:
Arçam postos no fogo os corações.

Frei Agostinho da Cruz

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A Arrábida

Agora, que de todo despedido
nesta Serra d'Arrábida me vejo,
de tudo quanto mal tinha entendido.
Com mais quietação livre me desejo
nela eu próprio cavar a sepultura,
que não junto do Lima, nem do Tejo,
Aqui com mais suave compostura,
menos contradição, mais clara vista
verei o Creador na criatura.

Frei Agostinho da Cruz